Sintomas da perimenopausa: o que pode começar a mudar depois dos 40
Tem uma fase da vida em que algumas mulheres começam a olhar para o próprio corpo e pensar:
“Ué… eu sempre fui assim?” 😂
O sono muda. A menstruação que era certinha começa a adiantar ou atrasar. Em alguns meses o fluxo aumenta, em outros diminui. Você pode acordar no meio da noite com calor, ficar mais irritada, perceber mudanças na libido ou simplesmente sentir que o corpo não responde exatamente como antes.
E aí vem a conclusão quase automática:
“Pronto. Chegou a menopausa.”
Calma.
Antes da menopausa existe uma fase chamada perimenopausa, e ela pode começar anos antes da última menstruação.
Só que existe outro problema: depois dos 40, praticamente tudo começou a ser colocado na conta dos hormônios.
Engordou? Hormônio.
Está cansada? Hormônio.
Dormiu mal? Hormônio.
Perdeu a paciência com todo mundo? Menopausa. 😂
Não é bem assim.
Os hormônios realmente passam por mudanças importantes nessa fase, mas nem todo sintoma depois dos 40 significa perimenopausa.
Por isso, neste artigo vamos entender quais são os sintomas da perimenopausa, o que realmente pode mudar no corpo e quando vale procurar avaliação médica.
Os sintomas da perimenopausa podem aparecer de maneiras diferentes, e entender esses sinais é o primeiro passo para cuidar melhor da saúde nessa fase.
O que é perimenopausa?
A perimenopausa é o período de transição que acontece antes da menopausa.
Durante essa fase, a função ovariana vai mudando e hormônios como estrogênio e progesterona podem apresentar oscilações. E justamente por serem oscilações — e não simplesmente uma queda linear e previsvisível — os sintomas podem variar bastante de uma mulher para outra e até de um mês para outro.
Algumas mulheres praticamente não percebem essa transição.
Outras apresentam sintomas que interferem no sono, disposição, sexualidade, treinamento e qualidade de vida.
E não existe uma idade exata em que todas entram na perimenopausa.
Ela costuma acontecer durante os anos que antecedem a menopausa e pode começar ainda na faixa dos 40.
Perimenopausa e menopausa são a mesma coisa?
Não.
Essa diferença é importante.
Perimenopausa é a transição.
Menopausa é um marco: ela é estabelecida retrospectivamente quando a mulher completa 12 meses consecutivos sem menstruar, desde que não exista outra causa para a ausência de menstruação.
Depois desse momento, falamos em pós-menopausa.
Ou seja: aquela mulher de 43 anos que continua menstruando, mas começou a perceber mudanças no ciclo e outros sintomas, não necessariamente “entrou na menopausa”.
Ela pode estar passando pela transição menopausal.

Foto: arquivo pessoal
Quais são os primeiros sintomas da perimenopausa?
Não existe uma lista que todas as mulheres obrigatoriamente vão cumprir.
Mas alguns sinais aparecem com frequência durante essa fase.
E um dos primeiros lugares em que as mudanças podem aparecer é justamente onde muita mulher percebe rapidamente:
1. Alterações no ciclo menstrual
A menstruação pode começar a ficar diferente.
O ciclo pode:
- ficar mais curto ou mais longo;
- adiantar ou atrasar;
- apresentar fluxo maior ou menor;
- variar mais de um mês para outro.
Para uma mulher que menstruou como um relógio durante anos, essa mudança costuma chamar atenção.
Mas é importante não assumir automaticamente que qualquer alteração menstrual aos 40 e poucos anos seja perimenopausa.
Sangramento muito intenso, sangramento entre as menstruações ou outras mudanças importantes merecem avaliação profissional.
2. Ondas de calor
Esse talvez seja um dos sintomas mais conhecidos.
De repente vem uma sensação intensa de calor, principalmente na parte superior do corpo e no rosto, que pode ser acompanhada de suor e vermelhidão.
E não, você não necessariamente está “passando calor porque todo mundo está passando”.
Às vezes está todo mundo confortável e você pensando em entrar dentro da geladeira. 😂
A intensidade e a frequência variam muito.
Algumas mulheres têm episódios esporádicos; para outras, as ondas de calor podem afetar bastante o dia a dia.
3. Suor noturno e mudanças no sono
Quando esses episódios acontecem durante a noite, podem vir acompanhados de suor e despertares.
Mas os problemas de sono durante a perimenopausa não acontecem apenas por causa das ondas de calor.
Algumas mulheres passam a ter mais dificuldade para adormecer, acordam várias vezes durante a noite ou simplesmente sentem que o sono deixou de ser tão restaurador.
E aqui começa um efeito dominó importante.
Dormir mal pode interferir em:
- disposição;
- humor;
- fome e apetite;
- recuperação muscular;
- vontade de treinar;
- capacidade de concentração.
Por isso, às vezes a mulher sente que “tudo mudou”, quando parte do problema pode estar sendo amplificada por semanas ou meses de sono ruim.
4. Mudanças de humor
Irritabilidade, alterações de humor, ansiedade e maior sensibilidade emocional podem aparecer durante a transição menopausal.
Mas precisamos tomar cuidado com aquela velha história de explicar tudo com:
“É hormonal.”
A vida aos 40 também pode envolver trabalho, filhos, relacionamento, pais envelhecendo, responsabilidades financeiras, noites mal dormidas e uma agenda que parece ter sido criada por alguém que nos odeia. 😂
Os hormônios podem fazer parte da história, mas não necessariamente explicam tudo.
E sintomas emocionais persistentes ou intensos merecem atenção profissional.
5. Dificuldade de concentração e aquela sensação de “névoa mental”
Algumas mulheres relatam mais esquecimentos ou dificuldade de concentração durante a transição menopausal.
É aquela clássica situação:
Você entra no quarto para buscar alguma coisa.
Chega lá.
E pensa:
“O que eu vim fazer aqui mesmo?”
A famosa sensação de brain fog pode acontecer nessa fase, mas novamente precisamos olhar o quadro inteiro.
Privação de sono, estresse, ansiedade, alimentação, medicamentos e outras condições também podem interferir bastante na memória e na concentração.
6. Mudanças na vagina e no trato urinário
Esse assunto ainda recebe muito menos atenção do que deveria.
Com as mudanças hormonais, algumas mulheres podem apresentar:
- secura vaginal;
- desconforto ou dor durante a relação;
- ardor;
- alterações urinárias;
- maior urgência para urinar;
- infecções urinárias recorrentes.
E não existe prêmio nenhum para quem fica sofrendo calada.
Esses sintomas podem ser avaliados e existem opções de tratamento. Converse com seu ginecologista.
7. A libido pode mudar
Algumas mulheres percebem redução do desejo sexual.
Outras não.
E algumas podem até perceber melhora.
Libido não depende exclusivamente de hormônios. Sono, relacionamento, autoestima, estresse, medicamentos, saúde física e emocional também entram nessa equação.
Por isso, mais uma vez, não existe uma experiência universal da perimenopausa.
8. O corpo pode mudar durante a perimenopausa?
Sim, mudanças na composição corporal podem acontecer com o avanço da idade e durante a transição menopausal.
Mas aqui precisamos acabar com uma simplificação muito comum:
“Meu estrogênio caiu e por isso apareceu barriga.”
Não funciona de maneira tão simples.
Alterações hormonais podem contribuir para mudanças na distribuição da gordura corporal, inclusive favorecendo maior acúmulo na região abdominal.
Já falei aqui no blog sobre por que a gordura abdominal pode aumentar depois dos 40 e o que realmente ajuda a diminuir.
Ao mesmo tempo, envelhecimento, redução de atividade física, sono ruim, alimentação, consumo de álcool, perda de massa muscular e mudanças no gasto energético também podem participar do processo.
Ou seja:
não existe um único hormônio apertando o botão “guardar gordura na barriga”.
E isso é importante porque significa que ainda existem várias coisas que podemos fazer.
Perimenopausa significa que vou engordar?
Não obrigatoriamente.
Entrar na perimenopausa não cria uma sentença automática de ganho de peso.
O que pode acontecer é uma combinação de fatores.
Imagine uma mulher que começa a dormir pior.
Ela acorda cansada.
Treina menos.
Se movimenta menos durante o dia.
Tem mais vontade de alimentos muito palatáveis porque está exausta.
Perde gradualmente massa muscular.
Talvez passe a tomar uma taça de vinho com maior frequência para “relaxar”.
Ao longo dos meses, tudo isso pode influenciar o balanço energético e a composição corporal.
Percebe como é muito mais complexo do que simplesmente dizer:
“São os hormônios”?

Foto: arquivo pessoal
Massa muscular fica ainda mais importante depois dos 40
Se existe uma coisa que eu gostaria que toda mulher entendesse nessa fase é:
músculo não serve apenas para deixar o corpo bonito.
Massa muscular está relacionada à força, funcionalidade, independência e capacidade de realizar atividades da vida cotidiana.
E é justamente por isso que a musculação ganha ainda mais importância com o passar dos anos.
Você não precisa treinar como atleta.
Não precisa viver na academia.
E muito menos precisa tentar competir com a mulher de 25 anos que você foi.
O objetivo é construir um corpo capaz de acompanhar a mulher que você quer ser aos 50, 60, 70 e além.
Se você quiser entender melhor essa relação, eu expliquei também https://mulhersemneura.com/musculacao-depois-dos-40/?utm_source=chatgpt.com.
Proteína também merece atenção
Treinar força e não oferecer matéria-prima adequada para o organismo não é uma estratégia muito inteligente.
A proteína participa da manutenção e construção dos tecidos, incluindo a massa muscular.
Isso não significa viver de frango com batata-doce ou transformar cada refeição em uma competição para ver quem consegue colocar mais proteína no prato. 😂
Significa garantir uma ingestão adequada dentro da sua alimentação e distribuí-la de maneira prática ao longo do dia.
As necessidades individuais variam conforme peso, atividade física, objetivos, alimentação e condições de saúde.
Aqui no blog também tem um guia completo sobre quanto de proteína você realmente precisa depois dos 40.
E a creatina?
A creatina pode ser uma ferramenta interessante principalmente para mulheres que fazem treinamento de força.
Ela não é um “suplemento para menopausa” e não corrige alterações hormonais.
Mas pode ajudar no contexto de desempenho, força e preservação ou ganho de massa muscular quando associada ao treinamento.
Ou seja:
creatina ajuda. Musculação continua fazendo o trabalho pesado.
E nenhuma das duas substitui sono, alimentação e consistência.
Se você tem dúvidas sobre esse suplemento, leia também Creatina depois dos 40: vale a pena para mulheres?
O que fazer ao perceber sintomas da perimenopausa?
Primeiro: não entrar em pânico.
Perimenopausa não é doença.
É uma transição fisiológica da vida da mulher.
Mas isso também não significa que você precise simplesmente aceitar sintomas importantes porque alguém disse:
“É a idade.”
Algumas atitudes ajudam bastante nessa fase:
- manter treinamento de força;
- continuar fisicamente ativa durante o dia;
- cuidar da qualidade do sono;
- consumir proteína adequadamente;
- manter uma alimentação variada;
- moderar álcool;
- não fumar;
- cuidar da saúde cardiovascular;
- conversar com profissionais de saúde quando os sintomas incomodarem.
E existe uma coisa que eu acrescentaria:
pare de comparar seu corpo atual com o corpo dos 20 anos.
Seu objetivo agora não precisa ser voltar no tempo.
Pode ser chegar aos próximos anos mais forte, saudável e independente.
Isso muda completamente a conversa.
Preciso fazer exames para saber se estou na perimenopausa?
Essa é uma dúvida muito comum.
E não existe um único exame que funcione como um simples:
“positivo para perimenopausa”.
A avaliação geralmente considera idade, histórico, alterações menstruais, sintomas e contexto clínico.
Além disso, durante a transição menopausal os níveis hormonais podem oscilar, então uma dosagem isolada nem sempre conta toda a história.
Dependendo da idade, dos sintomas e do histórico da mulher, o médico pode solicitar exames para investigar outras causas ou situações específicas.
Por isso, evite aquele diagnóstico baseado em:
“Meu hormônio deu X no exame, então descobri tudo.”
O corpo é um pouquinho mais complicado do que uma linha do laboratório.
Terapia hormonal é obrigatória?
Não.
E também não deve ser tratada como vilã.
A terapia hormonal da menopausa pode ser uma opção eficaz para determinados sintomas em mulheres adequadamente avaliadas, mas indicação, tipo, dose, via de administração, benefícios e riscos precisam ser individualizados.
Esse é assunto para consulta médica.
O que não vale é decidir pela internet que:
“Toda mulher precisa repor hormônio depois dos 40.”
Nem o extremo contrário:
“Hormônio faz mal e ninguém deveria usar.”
Medicina raramente funciona bem nesses absolutos.
Nem tudo depois dos 40 é perimenopausa
Talvez esta seja uma das partes mais importantes deste artigo.
Cansaço pode ter outras causas.
Alteração de peso pode ter outras causas.
Queda de cabelo pode ter outras causas.
Ansiedade pode ter outras causas.
Insônia pode ter outras causas.
Irregularidade menstrual também pode ter outras causas.
Então, se algo mudou significativamente no seu corpo, principalmente se os sintomas forem intensos, persistentes ou diferentes do habitual, vale investigar.
Não transforme o aniversário de 40 anos em diagnóstico. 😂
Quando procurar um profissional de saúde?
Procure avaliação quando os sintomas estiverem interferindo na sua qualidade de vida ou quando houver alterações que preocupem você.
E algumas situações merecem atenção especial, como sangramentos muito intensos, sangramento após relação sexual, sangramento depois que a menopausa já foi estabelecida, dor importante ou outros sintomas novos relevantes.
A consulta também é uma ótima oportunidade para conversar sobre saúde óssea, cardiovascular, sexual, sono, atividade física e prevenção.
A ideia não é procurar ajuda porque você está “ficando velha”.
É cuidar da mulher que você ainda vai ser durante muitas décadas.
O que eu gostaria que você lembrasse sobre os sintomas da perimenopausa
Se você chegou até aqui tentando descobrir se tudo o que está sentindo é perimenopausa, quero que guarde algumas coisas.
Seu corpo pode realmente começar a mudar.
Seu ciclo pode mudar.
Seu sono pode mudar.
Sua forma de acumular gordura pode mudar.
Seu humor, libido e disposição também podem passar por fases diferentes.
Mas você não perdeu o controle sobre sua saúde porque passou dos 40.
Treinamento de força, alimentação adequada, proteína, atividade física, sono, acompanhamento médico e hábitos consistentes continuam fazendo uma diferença enorme.
E, principalmente:
não precisamos transformar essa fase em uma guerra contra o próprio corpo.
A perimenopausa não é o começo do fim.
É só mais uma fase da vida feminina que merece informação de qualidade, acompanhamento quando necessário e muito menos terrorismo.
Sem Neura
Depois dos 40, cuidar do corpo talvez exija alguns ajustes.
Mas ajuste é bem diferente de desespero.
Você não precisa eliminar carboidrato, viver de suplemento, treinar sete dias por semana nem tentar recuperar exatamente o corpo que tinha aos 25.
Você precisa entender o corpo que tem hoje e cuidar dele para o futuro.
Reconhecer os sintomas da perimenopausa não significa atribuir todas as mudanças do corpo aos hormônios, mas entender quando vale investigar e procurar orientação.
Isso, para mim, é envelhecer bem.
E sempre sem neura. ❤️
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Ana Paula Schroeder | Personal Trainer – CBMF
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